Por Leandro C. S. Matos
Publicada em 04 de October de 2008 às 15h03
Próximo do fim, candidatos fizeram mais ataques.
Debate aconteceu na Câmara.
O último debate entre os candidatos a prefeito de Riachão do Jacuípe aconteceu na noite do sábado passado (27) e foi realizado pela Rádio 96.5 FM na Câmara Municipal. Muito próximo da reta final de campanha, os candidatos partiram para o ataque, que também foi favorecido pelo próprio formato do debate.
Logo no início, em pergunta formulada pela Rádio sobre apoio político, Laurinho (PMDB) declarou que a política é dinâmica e que os apoios são importantes “quando há um mesmo objetivo em comum naquele momento histórico” e diferenciou apoio de conchavos. Também atacou dizendo que “houve candidatos aqui que expôs placas na frente de unidade do FUSAS denegrindo a imagem de outro candidato e que hoje estão no mesmo palanque”. Sorteada para comentar a resposta, a candidata Tânia (DEM) disse que o candidato falava em acordos que não viessem a prejudicar, mas teve confrontos diretos, inclusive pessoais, com um candidato que no passado estava no seu grupo e que agora estava com ele. Afirmou saber, por ter acompanhado a trajetória do seu marido, quem eram os políticos que comprometiam uma administração, e acusou: “o senhor tem apoios que lhe compromete”. Depois, Laurinho disse que eram apoios e que o grupo da candidata é que fazia acordos e citou novamente o caso da placa na frente do hospital, ressaltando que hoje estavam todos juntos. “Será que é acordo ou é simplesmente apoio?”, indagou.
Questionado sobre ter apoiado o candidato Laurinho, no passado, Jocelino (PPS) respondeu: “o meu entusiasmo só não foi maior que a minha decepção”. Por alguns momentos, Jocelino disse achar a candidata Tânia despreparada e superficial em suas respostas. Falou que ela foi praticamente compelida pelo seu grupo e que “não se deu conta do tamanho da tarefa que é governar Riachão do Jacuípe num momento como esse”. A candidata rebateu: “você confiava também que eu era capaz”, referindo-se a época em que o candidato lhe convidou para formar sua chapa. Tânia disse ainda ter experiência de conviver com o povo e saber das necessidades. Mais tarde, após ter feito pergunta sobre gastos com combustível, falou que a candidata não respondeu se tinha algum plano específico para o assunto.
Entre Laurinho e Jocelino, o ponto que mais polarizou as discussões foi o apoio de Lula. Sobre a questão partidária, Laurinho disse que sua ideologia sempre foi Riachão e que havia mudado de partido porque “Riachão precisava não perder alguns benefícios que já estavam direcionados ao município”. Dessa parceria, ressaltou ter conseguido com o ministro Geddel algumas obras já em andamento e outras futuras. Também atacou Jocelino lembrando que o partido dele, o PPS, não apóia Lula a nível nacional e que “a conduta mais coerente” teria sido colocar Avelange de candidato a prefeito. Jocelino acusou o candidato de fugir das respostas e, sobre Geddel, também atacou: “Geddel nós conhecemos muito bem: azar de quem o escolheu”. Disse que também fez imagens com apoio do presidente, do governador, mas “só não fizemos um cartaz grande e bonito porque não temos tanto dinheiro quanto sua candidatura.” Laurinho ainda foi apontado como alguém que votou em Alckmin. Ele se defendeu: “Para o seu governo, eu votei em Lula, não votei em Geraldo Alckmin” e que “incomodava muito a vocês” o apoio que ele recebia de Lula e Wagner.
Num determinado momento, no terceiro bloco, Tânia e Laurinho trocaram acusações e documentos. Tânia lembrou que o candidato do PMDB só a acusa de cheque sem fundo, mas que tinha declaração da Procifar que comprovava que ela não devia nada. Desafiou que mostrasse alguma dívida em seu nome e falou ter todas as contas do FUSAS aprovadas.
Laurinho falou que o que tinha em mãos não eram papéis, eram cinco cheques originais da gestão do FUSAS, dados pela Procifar. Depois afirmou que também tinha uma certidão da empresa e que a candidata não estava isenta só porque o cheque estava pago, já que, na época, ele fora devolvido. Continuando, acusou Tânia de ter comprado leitos e de tê-los dados para a próxima gestão pagar. Segundo ele, o cheque voltou por não conferir com a assinatura do presidente da época. “Além de ser ingerente na sua gestão ainda dá cheques para a gestão de outro? Isso é absurdo!” Falou que a candidata democrata responde a processos da Ação Social em convênios com a Cetras por falta de prestação de contas. “Que tipo de gestão é essa? Que tipo de transparência é essa que a senhora preconiza?”. Em resposta, Tânia disse que comprou leitos para o hospital, e que não tirou parte do convênio do SUS para colocar em clínica particular. Sobre o convênio, respondeu que o pagamento atrasou, sim, mas que ela não tinha culpa por não ser gestora. Disse que não respondia pelos processos e perguntou se a esposa do candidato responderá pelos processos no futuro. Laurinho rebateu: “Falei de processos que são contra a senhora”.
Quando precisaram perguntar ao candidato Jocelino, Tânia e Laurinho utilizaram do momento para fazerem ataques indiretos. A candidata do DEM perguntou qual a visão que o candidato tinha sobre os vários problemas da administração atual. Jocelino respondeu: “Não quero ver a continuidade desse governo e também não quero a volta do que foi”. Tânia disse estar consciente dos erros do seu esposo, mas disse que houve muito mais acertos.
Laurinho perguntou sobre a inadimplência que o município sofria na gestão passada e o que aconteceria com os recursos destinados caso essa situação continuasse. Jocelino reconheceu os pagamentos em dia, mas falou que “obrigação não é obra” e “salário em dia não é obra”. Laurinho agradeceu pelo reconhecimento e disse que busca recursos em todos os gabinetes e tenta reverter os votos recebidos em ações efetivas.
O caso da Clínica Vida e o SUS volta e meia foi citado durante o debate. Tanto a candidata Tânia, quanto o candidato Jocelino, que disse que a Clínica recebeu quatro vezes mais do SUS que o hospital em determinado período, ligaram o prefeito a essa situação. Por causa disso, a Rádio 96.5, no último bloco, concedeu o direito de resposta ao candidato. Laurinho negou que verbas do SUS tenham sido tiradas do hospital para a Clínica e que a mesma era a única clínica da cidade, de acordo ao SIA-SUS, que estaria apta para receber aqueles procedimentos.
Diferentemente do outro debate, realizado em agosto, os vices fizeram uso da palavra. Catarino (DEM), vice de Tânia, e José Avelange (PT), vice de Jocelino, se pronunciaram nas considerações finais. Avelange também se pronunciou em outros momentos. Outro ponto que foi diferente do último debate foi a ausência de participação do público. Em virtudes de problemas técnicos, o bloco em que seriam feitas perguntas elaboradas pelos ouvintes foi eliminado.